LIBERDADE

24 Abr

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

Fernando Pessoa

Google Art Project

21 Fev

É um projeto bacana que permite acesso a lugares absurdamente interessantes.

Estar em um destes lugares é imcomparavelmente mais fascinante do que vê-los na escrivaniha do quarto na tela de um notebook, mas, se para você, assim como para mim, conhecer o mundo ainda é um bucadinho caro….

http://www.googleartproject.com/

Perguntas de um Trabalhador que lê

12 Fev

Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?
Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?

Bertold Brecht

Windows® Aero™ – Sony Vaio

02 Jan

Se tem algo que me deixa nervoso é o computador apresentar um comportamento não esperado e não poder fazer nada a respeito. Eu comprei um Sony Vaio (VPCCW13FB) por indicação de amigos que me disseram que tratava-se de uma excelente máquina. Eles estavam certos, o computador é muito bom, mas toda hora o efeito Aero parava de funcionar. Eu sei que é apenas estético etecetera e tals, mas isto me incomodava absurdos (deve ser TOC).

O problema é com o drive da placa de vídeo(NVIDIA® GeForce® GT 230M / G210M / 9600M GT), e graças a deus a Sony disponibilizou a correção no endereço abaixo (mais um pouco e eu ia acabar vendendo o computador por causa disto).

http://esupport.sony.com/BR/perl/swu-download.pl?mdl=VPCCW13FB&upd_id=6215&os_id=45

Agora as crianças não choram mais!

A Vocação

28 Dez

(Plinio Marcos)

Eu não entrei na trilha dos saltibancos por acaso, nem para ser o reles fazedor de graça. Eu queria consagrar a minha vida através de um imperioso apelo vocacional. Mas as pessoas, com suas receitas de sucesso, sem nenhum escrúpulo, sem nennhuma sensibilidade vieram me falar de mil e um palhaços geniais.

Escutei humilde a história de cada um desses incríveis artistas que viajavam pelas vias da loucura. Mas, saber desses palhaços para mim, Bobo Plin, um palhacinho de merda que começava a engatinhar nos picadeiros mal iluminados das espeluncas, só serviu para me tolher.

Quanto mais eu sabia deles, mais e mais, Bobo Plin, o palhaço que eu queria ser, se enroscava nas minhas entranhas. A referência esmagava a minha intuição e me forçava a autocensura. A comparação, a maldita inimiga da igualdade, fazia os magníficos histriões, elementos inibidores da minha criatividade. Agora, eu não quero. Bobo Plin, não quer saber das façanhas desses belos palhaços. Não quero vê-los. Nem saber dos seus bigodes, sapatões, quizos, pompons, bolas, balões e babados. A magia dos grandes artistas, não pode ser ensinada. São segredos que se aprende com o coração, mas ninguém ensina. Essa magia se manifesta quando se resolve fazer a própria alma. Para Bobo Plin se irmanar com os grandes palhaços que luziram nos palcos e picadeiros, tem que se esquecer deles para sempre. Não pode recolher nenhuma indicação que eles deixaram no caminho. Bobo Plin tem que andar sem bússola na mais tenebrosa escuridão. Qualquer brilho, qualquer estrela, qualquer ponto referencial é um ponto hipnótico embrutecedor…E eu quero fazer a minha alma.

Texto da peça “Balada de um Palhaço” criação de Walderez de Barros.

O medo de amar é o medo de ser livre

27 Dez

O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar
Onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ser
De a todo momento escolher
Com acerto e decisão a melhor direção
O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar
Pra ficar
O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever
Recusar o poder
O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz

Beto Guedes e Fernando Brant

Nicholas Was…

23 Dez

 

39 Degrees North: Christmas Card 2010 from 39 Degrees North on Vimeo.

Older than sin, and his beard could grow no whiter.
He wanted to die.
The dwarfish natives of the Arctic caverns did not speak his language, but conversed in their own, twittering tongue; conducted incomprehensible rituals when they were not actually working in the factories.
Once every year they forced him, sobbing and protesting, into Endless Night. During the journey he would stand near every child in the world, leave one of the dwarves’ invisible gifts by its bedside. The children slept, frozen in time.
He envied Prometheus and Loki, Sisyphus and Judas. His punishment was harsher.
Ho. Ho. Ho.

 

Neil Gaiman

Nicholas Era…

Mais velho que o pecado, e sua barba não podia ficar mais branca.
Ele queria morrer.
Os anões nativos das cavernas do Ártico não falavam seu idioma, mas gorjeiavam em sua própria língua; realizavam rituais incompreensíveis quando não estavam trabalhando nas fábricas.
Uma vez por ano, forçavam-no, aos prantos e sob protestos, pela Noite Sem Fim. Durante a jornada, permaneceria ao lado de cada criança no mundo, deixando um dos presentes invisíveis dos anões ao pé da cama. As crianças dormiam, congeladas no tempo. Ele invejava Prometeu e Loki, Sisyphus e Judas. Seu castigo era mais duro.
Ho. Ho. Ho.

 

Neil Gaiman

É isso ai, feliz natal a todos!

Passa o celular

17 Nov

Ser assaltado é uma droga. Hoje, pela primeira vez em 29 anos, fui abordado em São Paulo por um meliante.

Ele simplesmente me abordou e disse educadamente: “- Passa o Celular.”

Apesar de pedir ele mesmo colocou a mão no meu bolso e pegou o aparelho, bem, mais ou menos. Ele não sabia diferenciar o iPod de um celular e acabou levando o player. Não que eu ganhei algo com isso (nem pude rir, apontar e dizer “Que burro da zero pra ele”), afinal o iPod não foi barato. Mas quer saber o mais esquisito da história?

Enquanto o facínora se afastava eu fiquei realmente preocupado foi com as fotos e com o fato de eu usar o pequeno aparelho para acessar meus emails e algumas redes sociais. Em outras palavras o valor financeiro ou mesmo o fato de eu acabar de ter sido abordado por um cidadão violador da lei ficaram em segundo plano. Eu só conseguia pensar: “- Não posso esquecer de mudar minhas senhas”. Meu segundo pensamento foi – “como eu sou burro, como fiquei tanto tempo andando por ai com este aparelho sem uma maldita senha”. Qual o significado disso? (além do fato de eu ser um nerd – mas isso todo mundo já sabe).

O fato é que senhas são chatas nestes aparelhos que usamos o tempo todo. É fato também que a cada dia usamos o celular (mais propriamente os smartphones) mais como pequenos computadores do que como aparelhos de fazer e receber ligações e é preciso que o tratemos com as mesmas precauções também.

PS.: Meu Galaxy S tava no outro bolso e o ladrão não viu!!! Lero, lero…. e sim, já coloquei uma senha nele.

Sociologia e Scrum

30 Out

Engraçado, se pensarmos bem tudo o que está escrito abaixo não é nada além do óbvio. Mas minha experiência diz que num é bem assim.

The Core Commitments of Scrum:

1. I commit to:

Engage when present, and to know and disclose what I want. what I think, and what I feel;

To always seek effective help;

To decline to offer and refuse to accept incoherent emotional transmissions.

When I have or hear a better idea than the currently prevailing idea, I will immediately either
propose it for decisive acceptance or rejection, and/or explicitly seek its improvement.

I will personally support the best idea regardless of its source, however much I hope an even better idea may later arise, and when I have no superior alternative idea

2. I will seek to perceive more than I seek to be perceived.

3. I will use teams, especially when undertaking difficult tasks.

4. I will speak always and only when I believe it will improve the general results/effort ratio.

5. I will offer and accept only rational, results-oriented behavior and communication.

6. I will disengage from less productive situations when I cannot keep these commitments, and
when it is more important that I engage elsewhere.

7. I will do now what must be done eventually and can effectively be done now.

8. I will seek to move forward toward a particular goal, by biasing my behavior toward action.

9. I will use the Core Protocols (or better) when applicable. I will offer and accept timely and proper use of the Protocol Check protocol without prejudice.

10. I will neither harm—nor tolerate the harming of—anyone for his or her fidelity to these commitments.

11. I will never do anything dumb on purpose.

FONTE: Sociology and Scrum

O Analfabeto Político–Bertold Brecht

09 Out

f

 

Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado
Todo homem é um pedaço de um continente, uma parte da terra
Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa de teus amigos ou a tua própria
A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram: eles dobram por ti.

 

Leiam o post do Sakamoto. Muito bacana: Por Deus! Não estamos elegendo um pastor ou uma freira

PSOA

Sem música, a vida seria um erro!